Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
M86

Noites de Reis

William Shakespeare
R. Staines, gravura de Malvólio em <em>Twelfth Night</em>, séc. XIX.
R. Staines, gravura de Malvólio em Twelfth Night, séc. XIX.

Um naufrágio separa dois gêmeos, Viola e Sebastião, numa costa desconhecida. Viola, tendo por morto o irmão, disfarça-se de homem, adota o nome de Cesário e entra a serviço do duque Orsino da Ilíria. Orsino está apaixonado pela condessa Olívia, que não lhe corresponde. Olívia, por sua vez, conhece Cesário (que na verdade é Viola travestida) e se apaixona por ele. Viola, secretamente, apaixona-se por Orsino. A peça, escrita por volta de 1601, fecha-se com três casamentos e uma canção melancólica do bufão.

Noites de Reis é, para muitos, a mais perfeita das comédias shakespearianas. Nenhuma outra tem esse equilíbrio entre riso e melancolia. Viola é a mais encantadora das heroínas disfarçadas de Shakespeare. Malvólio, o mordomo humilhado pelo trote dos criados, é a personagem cuja jura de vingança final — “Hei de vingar-me deste bando inteiro!” — introduz uma sombra que o desfecho festivo não apaga.

Shakespeare, ao permitir que a crueldade dos outros personagens contra Malvólio escape do controle cômico, lembra ao espectador que mesmo as comédias mais luminosas comportam feridas que não cicatrizam. É essa ambiguidade que faz de Noites de Reis mais do que a brincadeira que seria em mãos menos argutas. (Aula também catalogada sob o código M73.)

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