Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
M85

Michael Kohlhaas

Heinrich Von Kleist
Heinrich von Kleist (1777–1811), retrato póstumo.
Heinrich von Kleist (1777–1811), retrato póstumo.

Século XVI. Michael Kohlhaas, tratante de cavalos honesto e trabalhador, atravessa certa fronteira na Saxônia com uma tropa de cavalos. Um fidalgo local, usando de autoridade ilegítima, exige-lhe uma taxa inexistente e confisca-lhe dois cavalos magníficos. Kohlhaas, sem culpa, parte para obter o passe. Os cavalos são maltratados. Kohlhaas reclama na justiça. A justiça, protegida pelos conluios nobiliárquicos, arquiva o caso. A esposa, tentando interceder junto ao Eleitor da Saxônia, é espancada e morre. Kohlhaas, então, levanta um pequeno exército particular, queima a Saxônia em nome da justiça que lhe foi negada, torna-se o homem mais perigoso do Sacro Império, é capturado, condenado à decapitação — mas obtém, na hora da morte, a restituição dos dois cavalos.

É uma das obras mais intensas da prosa alemã. Kleist escreve em frases longas, que se amontoam como vagões de trem. O ritmo dá ao leitor a sensação exata do que Kohlhaas vive: uma injustiça se empilha sobre a anterior, a rede de desonestidades se complica, até que a única saída visível é a explosão.

A pergunta que a novela lança — e nem tenta responder — é se a busca obstinada da justiça, quando o Estado falha, é virtude ou crime. Kleist coloca o leitor em xeque. Thomas Mann, Franz Kafka, Doctorow, Coetzee — cada um escreveu variações do caso Kohlhaas. A novela original continua a mais pura. (Aula também catalogada sob o código M77.)

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