Fedra
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Teseu, rei de Atenas, está longe. Dá-se por morto. No palácio, sua esposa Fedra, atormentada por uma paixão que ela mesma considera monstruosa, é devorada em silêncio pelo amor que sente por Hipólito, filho do primeiro casamento de Teseu — seu enteado. Movida pela criada Enone, confessa-lhe a paixão. Hipólito recusa com horror. Nesse mesmo instante, Teseu retorna: não estava morto. Fedra, dominada pelo pavor, permite que Enone acuse Hipólito de ter tentado violá-la. Teseu, enlouquecido, invoca Posêidon contra o próprio filho; o deus atende; Hipólito morre despedaçado. Fedra, por fim, toma veneno e, antes de morrer, confessa tudo. A peça, de 1677, é a obra-prima do classicismo francês.
Racine escreveu Fedra inspirado num Hipólito de Eurípides e numa Fedra de Sêneca. Mas o que Racine faz é único: transforma a heroína, que nos modelos antigos oscilava entre a culpa e a acusação, numa consciência lúcida da própria culpa. A Fedra de Racine sabe que o seu amor é ilícito desde a primeira fala. Luta contra ele. Jejua, emagrece, reza a Vênus para ser libertada. É vencida. Ao ser vencida, e ao ver-se convocada a mentir sobre Hipólito, sente algo ainda pior do que a paixão: a repulsa de si. “Minhas entranhas inteiras, meu coração inteiro, tudo em mim suplica a Vênus que me mate.”
Não há, em toda a literatura francesa, diagnóstico mais severo da condição humana quando esta é cercada simultaneamente pela paixão sem saída e pela consciência moral intacta. Fedra sabe o que é certo; escolhe o que é errado; destrói-se, e destrói outros, em plena lucidez. O classicismo de Racine — aparentemente frio, aparentemente formal — é apenas a moldura sob a qual se move o mais violento material emocional já colocado em alexandrinos. Quem lê Fedra atentamente descobre que as paixões humanas, quando em conflito com o que a consciência sabe, não se aplacam pela razão. Consomem-se em si mesmas. E, ao se consumirem, consomem tudo em volta.
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Tratamento do áudio
Subtração espectral (DSP, sem IA generativa) · FFmpeg afftdn · 2026-05-08
Identificação automática do perfil de ruído estável (chiado, hum) e subtração desse padrão dos espectros, sem alterar a estrutura da fala. Equivalente conceitual ao Noise Reduction do Audacity.
| Métrica | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Codec | mp3 | mp3 |
| Sample rate | 22 050 Hz | 44 100 Hz |
| Bitrate | 48 kbps | 96 kbps |
| Duração | 204:26 | 204:25 |
| Tamanho | 70.19 MB | 140.37 MB |
| Volume médio | -18.8 dB | -19.3 dB |
| Pico | -1.6 dB | -1.7 dB |
| Silêncios detectáveis | 0 | 0 |
Parâmetros: nr_db=10 · nf_db=-25 · noise_type=white · saída MP3 96 kbps · 44.1 kHz · mono
