Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
M100

Em Busca de Sentido

Viktor Frankl
Viktor Frankl (1905–1997), fotografia sem data — fundador da logoterapia.
Viktor Frankl (1905–1997), fotografia sem data — fundador da logoterapia.

Viktor Frankl era um neurologista e psiquiatra vienense de trinta e sete anos quando foi deportado, em 1942, para os campos de concentração nazistas. Perdeu a esposa grávida, os pais, o irmão. Sobreviveu. Passou três anos em quatro campos, incluindo Auschwitz e Dachau. Libertado em 1945, voltou a Viena e, em nove dias, escreveu o livro pelo qual seria conhecido pelo resto do século: Ein Psycholog erlebt das Konzentrationslager — em português, Em Busca de Sentido. É, na primeira parte, um relato das suas experiências nos campos, descritas com a sobriedade de um cientista que decidiu observar-se a si mesmo como se fosse um paciente. É, na segunda parte, a exposição de uma nova escola psicoterapêutica que Frankl havia concebido antes da prisão e testado no próprio cativeiro: a logoterapia.

A logoterapia — “terapia pelo sentido” — parte de uma observação que Frankl fizera em Auschwitz: sobreviviam, entre os prisioneiros, não necessariamente os mais fortes fisicamente, mas aqueles que conseguiam manter um motivo para continuar vivendo. Um filho à espera lá fora; um livro por terminar; um amor por reencontrar; um dever por cumprir. Os que perdiam o motivo morriam primeiro — mesmo os corpos mais robustos. Frankl cita Nietzsche: “Quem tem um porquê suporta quase qualquer como.” A psicoterapia, diz Frankl, deve ajudar o paciente a descobrir o seu porquê — o sentido da sua vida, que não é inventado, é encontrado.

O livro, curto, é uma das obras mais traduzidas do século XX: mais de vinte milhões de exemplares em dezenas de línguas. Não é apenas um relato de campo de concentração — esses, infelizmente, a humanidade colecionou vários no século passado. É a única obra escrita por um prisioneiro de Auschwitz que, em vez de se deter na descrição do horror, usa o horror como laboratório para demonstrar algo sobre a condição humana em geral: o homem encontra sentido mesmo onde tudo parece retirado dele; e, quando encontra, torna-se livre — mesmo sob o arame farpado. Monir tinha esta obra como uma das mais importantes para o leitor contemporâneo. Com razão.

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