Rationale da Metafísica
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA
Esquema Aristotélico nº 36
Rationale da Metafísica
Rationale | EA |
1. As ciências estão separadas em três grandes ramos: teoréticas, práticas e poiéticas ou produtivas | 20 |
2. Entre as ciências teoréticas a mais alta é a filosofia primeira ou metafísica. | 23 |
3. A metafísica é a pesquisa das causas primeiras (do que funda, do que condiciona). As causas são formal, material, eficiente e final. | 09 |
4. A metafísica é a pesquisa do ser enquanto ser. O “ser” tem sentido polívoco. “Os quatro significados do ser são, na realidade, quatro grupo de significados, encabeçados, todos eles, pelo primeiro, isto é, pelas categorias. O ser como potência e como ato tem lugar segundo as diferentes categorias e só segundo elas; ele não subsiste fora delas ou além delas. O ser como verdadeiro, que consiste na operação mental de somar e dividir, só pode basear‑se nas categorias que, justamente, são o que é unido ou separado. Enfim, também o ser acidental funda‑se sobre o ser categorial e não é senão uma afecção acidental ou um evento segundo as várias figuras das categorias.” (G. Reale “História da Filosofia Antiga”) | 26 |
5. As várias categorias não estão no mesmo plano: entre a substância e as outras há diferença radical. | 03 |
6. O problema ontológico (do ser) reduz‑se à questão da substância (ousia). A metafísica de Aristóteles é uma usiologia. Em primeiro lugar, é preciso saber o que é substância em geral. “O ser no seu significado mais forte é a substância: e a substância num sentido (impróprio) é matéria, num segundo sentido (mais próprio) é o sínolo, e num terceiro sentido (e por excelência) é a forma”. (G. Reale “História da Filosofia Antiga”) | 31 |
7. Para Aristóteles, a forma não é o universal, porque há condições rigorosas para algo poder ser substância. A espécie não é senão o eidos enquanto pensado na mente humana. | 25 |
8. A forma é o ato que subordina a matéria e o precede. Como tal, pode haver o ato puro. Deus é enteléquia pura. | 34 35 |
9. As substâncias pertencem a diversos gêneros. | 27 |
10. A substância supra-sensível pode ser assim demonstrada: “De tal princípio, portanto, dependem o céu e a natureza. E o seu modo de viver é o mais excelente: é o modo de viver que nos é concedido só por breve tempo. E naquele estado ele é sempre. A nós isso é impossível, mas a ele não, pois o ato do seu viver é prazer. E também para nós vigília, sensação e conhecimento são sumamente aprazíveis, justamente porque são ato e, em virtude dele, também esperança e recordações (...). Se, pois, nessa feliz condição na qual nos encontramos, às vezes, Deus se encontra perenemente, é maravilhoso; e se ele se encontra numa condição superior, é ainda mais maravilhoso. E nessa condição ele se encontra efetivamente. E ele também é Vida, porque a atividade da inteligência é Vida, e ele é, justamente, aquela atividade. E a sua atividade, que subsiste por si, é vida ótima e eterna. Dizemos, com efeito, que Deus é vivente, eterno e ótimo; de modo que a Deus pertence uma vida perenemente contínua e eterna: esse, pois, é Deus. (...) O pensamento que é pensamento de si tem como objeto o que é por si mais excelente, e o pensamento que assim é em máximo grau tem por objeto o que é excelente em máximo grau. A inteligência pensa a si mesma, captando‑se como inteligível: de fato, ela se torna inteligível intuindo e pensando a si, de modo a coincidirem inteligência e inteligível. A inteligência é, com efeito, o que é capaz de captar o inteligível e a substância, e é em ato quando os possui. Portanto, ainda mais do que aquela capacidade, essa posse é o que a inteligência tem de divino, e a atividade contemplativa é o que há de mais aprazível e mais excelente. (...) Se, pois, a Inteligência divina é o que há de mais excelente, ela pensa a si mesma, e o seu pensamento é pensamento de pensamento.” (Aristóteles, Metafísica, apud G. Reale “História da Filosofia Antiga”) | 33 |
Fonte: Aristóteles, Metafísica (Ed. Loyola, tradução de Giovannio Reale/Marcelo Perine)