Metodologia Geral
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA
Esquema Aristotélico nº 28
Metodologia Geral de Aristóteles
Etapas | Exemplos da Obra “Da Alma” |
1. Determinar o objetivo da pesquisa | “Buscamos considerar e conhecer a natureza e substância (da alma), bem como todos os seus atributos, dentre os quais uns parecem ser afecções próprias as alma, enquanto outros parecem subsistir nos animais graças a ela.” (402 a 1) |
2. Enumerar opiniões existentes sobre o assunto (doxografia) | “Donde Demócrito declara que a alma é algo quente ou uma espécie de fogo.” (403 b 31) “Anaxágoras, por sua vez, parece dizer que alma é algo diverso de intelecto...” |
3. Enumerar as dificuldades gerais (aporias) em torno do assunto | “Além disso, no caso de serem muitas as partes e não as almas, deve‑se primeiro investigar a alma como um todo ou suas partes?” (402 b 9) “Há ainda a dificuldade de saber se as afecções da alma são todas comuns àquilo que possui alma ou se há também alguma própria à alma tão‑somente.” (403 a 3 ) |
4. Enumerar os axiomas ou definições (que devem ser mais verdadeiros que os teoremas) | “Dizem que um dos gêneros dos seres é a substância.” (412 a 6) “O sensível se diz de três modos, dos quais dois afirmamos que são percebidos por si mesmos e um, por acidente.” (418 a 7) “Toda e qualquer cor é aquilo que pode mover o transparente em atualidade, e esta é a natureza da cor.” (418 a 26) |
5. Proposição da tese | “De que não há outra percepção sensível além das cinco (refiro‑me à visão, audição, olfação, gustação e tato), podemos nos convencer a partir do seguinte.” (424 b 22) |
6. Demonstração por silogismos da conclusão ou do teorema (proposições demonstráveis) | “Dentre as potências da alma, como dissemos, todas as mencionadas subsistem em alguns seres; em outros, só algumas delas e, em alguns, apenas uma. E mencionamos como potências a nutritiva, a perceptiva, a desiderativa, a locomotiva e a raciocinativa. Ora, nas plantas subsiste somente a nutritiva, mas, em outros seres, tanto esta como a perceptiva. E, se subsiste a perceptiva, também subsiste a desiderativa, pois desejo é apetite, impulso e aspiração; e todos os animais têm ao menos um dos sentidos – o tato – e, naquele em que subsiste percepção sensível, também subsiste prazer e dor, percebendo o prazeroso e o doloroso; e, nos que eles subsistem, também subsiste o apetite, pois este é o desejo do prazeroso.” (414 a 29) “Tampouco o pensar – do qual há o modo correto e o incorreto, pois o correto é o entendimento, a ciência e a opinião verdadeira, e o incorreto, o contrário deles. É o mesmo que perceber, pois a percepção sensível dos sensíveis próprios é sempre verdadeira e subsiste em todos os animais, ao passo que o raciocinar admite ainda o modo falso, não subsistindo naquele que não tem razão.” (427 a 17) |
Fonte: Aristóteles, Da Alma (Ed. 34, tradução de Maria Cecília Gomes dos Reis)