Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
E32475
Esquemas Aristotélicos · nº 24

Plano Geral da Metafísica

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA

Esquema Aristotélico nº 24

Plano Geral da Metafísica

Livro primeiro (Α)

• Todos os homens tendem ao saber.

• Saber alguma coisa é conhecer as causas (o que funda, o que condiciona, o que estrutura).

• As causas são formal, material, eficiente e final.

• A metafísica é a verdadeira sabedoria (sophia) porque é a ciência das causas primeiras.

• Todas as ciências serão mais necessárias aos homens, porém, superiores a esta, nenhuma.

• A metafísica é a ciência mais elevada porque vale em si e para si.

• (Este livro traz belo exemplo do método doxográfico)

Livro segundo ( α)

• A pesquisa da verdade é fácil e difícil ao mesmo tempo (morcego que não vê a luz).

• A metafísica é a busca da verdade.

• Para que a verdade possa ser buscada, é preciso que as causas sejam finitas, tanto em número como em série.

Livro terceiro (Β)

• A pesquisa das causas primeiras implica quinze dificuldades (aporias).

• Tanto mais adequada a solução de um problema quanto maior é a consciência dele.

• As aporias opõem a visão dos naturalistas e a dos platônicos.

• Aristóteles tenta resolvê‑las procurando um plano mais elevado, que possa sintetizar os pontos positivos de ambas.

Livro quarto (Γ)

• Há uma ciência do ser enquanto ser.

• Ser e um são a mesma coisa.

• Os vários sentidos de “ser” unificam‑se na referência a um único princípio, a substância.

• Está na competência da ciência do ser o estudo dos princípios lógicos fundamentais , dos quais o primeiro é o da não‑contradição.

• O centro unificador dos significados do ser é a ousia, a substância.

Livro quinto (Δ)

• (Este livro é um léxico de trinta termos filosóficos aplicáveis ao estudo da Metafísica.)

Livro sexto (Ε)

• Metafísica também é uma teologia.

• O ser pode ser entendido em quatro sentidos: como acidente, como verdadeiro, como categoria (substância) e como ato e potência.

• Nos dois primeiros sentidos, o conceito do ser é muito frágil e são abandonados.

Livro sétimo (Ζ)

• O sentido mais adequado de ser é o de primeira categoria (substância).

• Os estudos do ser (ontologia) deve ser uma usiologia (substância).

• Substância é a matéria, num sentido muito fraco;

Substância é a forma, no sentido próprio

Substância é o conjunto da matéria e forma (sínolo)

• Em nenhum sentido o gênero, isto é, o universal ou a Idéia platônica pode ser substância.

Livro oitavo (Η)

(Este livro explora as relações entre substância sensível e o conceito de potência e ato.)

• A matéria é substância apenas em potência.

• A matéria‑prima das coisas sensíveis é a mesma (terra, água, ar e fogo), mas não a matéria próxima (própria das coisas individuais).

Livro nono (Θ)

(Este livro trata do ser como potência e ato)

• O ato é anterior à potência.

• O ato é o fundamento da potência.

• O supra‑sensível é o ato puro.

Livro décimo (Ι)

• As contrariedades que se referem à forma produzem diferenças de espécie (com asas x sem asas), enquanto as contrariedades que se referem só ao composto material e à matéria, não produzem diferenças de espécie
(macho x fêmea).

Livro décimo‑primeiro (Κ)

• A metafísica estuda o ser enquanto ser; a matemática só sob o perfil da quantidade e do contínuo; a física enquanto movimento e a dialética e a sofística estudam os acidentes do ser e não o ser enquanto ser.

• Matemática e Física são apenas partes da Filosofia.

• O infinito é impossível em ato.

• A passagem do não‑ser ao ser é geração, a passagem do ser ao não‑ser é corrupção.

• Movimento é passagem do ser ao ser.

Livro décimo‑segundo (Λ)

(Este é o livro que sintetiza as doutrinas expressas nos outros livros.)

• Tudo o que não é substância só é dito “ser” de maneira mediada e em referência à substância.

• Há três tipos de substância: sensível corruptível (animais, plantas...); sensível incorruptível (os céus); supra‑sensível, imóvel e eterna.

• A causa eficiente de toda substância é sempre outra substância que tem o mesmo nome e a mesma natureza (Ex: cavalos geram cavalos).

• A essência do Primeiro movente é ato puro, eterno, isento de matéria e de potência.

• Os indivíduos empíricos são indignos do pensamento divino.

Livro décimo‑terceiro (Μ)

• As substâncias supra‑sensíveis platônicas não existem.

“Para os filósofos de hoje, as matemáticas se tornaram filosofia, mesmo que eles proclamem que é preciso ocupar‑se delas só em função de outras coisas”. (A9)

Entre matemáticos não existem como realidades em si, mas só como entes abstratos, abstraídos do sensível.

Livro

décimo‑quarto (Ν)

• Os contrários não podem ser realidades primeiras, porque pressupõem a existência de um substrato ao qual inerem, nem podem ser substâncias, porque nada é contrário à substância.

• O número não é causa das coisas, mas a medida da quantidade da matéria das coisas.

Fonte: Aristóteles, Metafísica (Ed. Loyola, tradução de Giovannio Reali/Marcelo Perine)