Defesas refutatórias
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA
Esquema Aristotélico nº 18
Quadro das Defesas Refutatórias do Princípio da Não‑Contradição
Refutação | Objeção | Contra-objeção | |
|---|---|---|---|
Primeira | Negar o princípio de não‑contradição implica em sermos incapazes de nomear as coisas. | As palavras têm muitos significados. Aquilo que um designa por um nome outro designa por outro. | Não tem importância, desde que os significados sejam limitados, porque do contrário a comunicação e até o discurso consigo mesmo seriam impossíveis. Não se trata de nome, mas da coisa em si. |
Segunda | Quem nega o princípio da não‑contradição suprime a substância e a essência, reduzindo tudo a acidente. | Não há essência, logo tudo é acidente. | Se tudo é acidente, a que eles predicariam? |
Terceira | Se se admite que as contraditórias existem no mesmo sujeito e podem ser predicados juntos deriva daí a conclusão de que todas as coisas reduzem‑se a uma só e todas são confusas e misturadas (Sócrates é um não‑navio e um navio ao mesmo tempo). | Protágoras sustenta que é verdade o que cada um parece | Estes filósofos não falam do ser, mas do não‑ser, porque só em potência os contraditórios podem coexistir. |
Quarta | Quem nega o princípio da não‑contradição está obrigado também a negar a validade do princípio do terceiro excluído, isto é negar que seja necessário ou afirmar ou negar. | Corolário | Nada se poderia afirmar, porque tudo se alegaria ao mesmo tempo. |
Quinta | Se tudo se pode afirmar de tudo e também negar de tudo, nenhuma coisa poderá se distinguir de outra e todos dirão, ao mesmo tempo, o verdadeiro e o falso. | Corolário | A discussão com este adversário não pode versar sobre nada, porque ele não diz nada. |
Sexta | Não se pode afirmar ao mesmo tempo que uma coisa é e não é, porque quando é verdadeira sua afirmação é necessariamente falsa a sua contradição. | Pura reafirmação do princípio da não‑contradição. | Este argumento é petição de princípio, se não for enunciado como refutação. |
Sétima | Se os contraditórios fossem verdadeiros juntos, as coisas não poderiam ter a sua natureza (“se o fogo é quente e não é quente, como poderia ter o fogo uma natureza?”) | Corolário |
Fonte: Aristóteles, Metafísica, trad. Edson Bini, Edipro.
Aristóteles, Metafísica, trad. Giovanni Reale/Marcelo Perine