Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
E32469
Esquemas Aristotélicos · nº 18

Defesas refutatórias

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA

Esquema Aristotélico nº 18

Quadro das Defesas Refutatórias do Princípio da Não‑Contradição

Refutação

Objeção

Contra-objeção

Primeira

Negar o princípio de não‑contradição implica em sermos incapazes de nomear as coisas.

As palavras têm muitos significados.

Aquilo que um designa por um nome outro designa por outro.

Não tem importância, desde que os significados sejam limitados, porque do contrário a comunicação e até o discurso consigo mesmo seriam impossíveis.

Não se trata de nome, mas da coisa em si.

Segunda

Quem nega o princípio da não‑contradição suprime a substância e a essência, reduzindo tudo a acidente.

Não há essência, logo tudo é acidente.

Se tudo é acidente, a que eles predicariam?

Terceira

Se se admite que as contraditórias existem no mesmo sujeito e podem ser predicados juntos deriva daí a conclusão de que todas as coisas reduzem‑se a uma só e todas são confusas e misturadas (Sócrates é um não‑navio e um navio ao mesmo tempo).

Protágoras sustenta que é verdade o que cada um parece

Estes filósofos não falam do ser, mas do não‑ser, porque só em potência os contraditórios podem coexistir.

Quarta

Quem nega o princípio da não‑contradição está obrigado também a negar a validade do princípio do terceiro excluído, isto é negar que seja necessário ou afirmar ou negar.

Corolário

Nada se poderia afirmar, porque tudo se alegaria ao mesmo tempo.

Quinta

Se tudo se pode afirmar de tudo e também negar de tudo, nenhuma coisa poderá se distinguir de outra e todos dirão, ao mesmo tempo, o verdadeiro e o falso.

Corolário

A discussão com este adversário não pode versar sobre nada, porque ele não diz nada.

Sexta

Não se pode afirmar ao mesmo tempo que uma coisa é e não é, porque quando é verdadeira sua afirmação é necessariamente falsa a sua contradição.

Pura reafirmação do princípio da não‑contradição.

Este argumento é petição de princípio, se não for enunciado como refutação.

Sétima

Se os contraditórios fossem verdadeiros juntos, as coisas não poderiam ter a sua natureza (“se o fogo é quente e não é quente, como poderia ter o fogo uma natureza?”)

Corolário

Fonte: Aristóteles, Metafísica, trad. Edson Bini, Edipro.

Aristóteles, Metafísica, trad. Giovanni Reale/Marcelo Perine