Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
MFS20

MFS20 - Palestra sobre São Boaventura

Mario Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.

São Boaventura de Bagnoregio (1221–1274), franciscano italiano, mestre da Universidade de Paris, é o gigante esquecido do séc. XIII — frequentemente eclipsado por seu contemporâneo dominicano Tomás de Aquino. A escolha de MFS é deliberada: enquanto Tomás representa a síntese aristotélica do pensamento cristão, Boaventura representa a tradição agostiniano-franciscana, com forte tonalidade mística. As duas vias são complementares, não opostas; mas a moderna escolástica tomista predominante tendeu, por séculos, a ofuscar a outra.

Mário Ferreira dos Santos apresenta as obras principais de Boaventura — Itinerarium Mentis in Deum (Itinerário da Mente para Deus), Breviloquium, Reductio Artium ad Theologiam — e mostra como, nelas, se articula uma filosofia em que a inteligência humana é entendida como caminho ascético: pensar não é apenas saber, é subir; saber é dimensão de contemplação. A simbólica boaventuriana — os seis dias da criação como seis estágios da alma, as seis asas dos serafins como seis modos de conhecer — é, para MFS, um dos pontos altos da medievalidade ocidental.

É a última das palestras MFS preservadas no acervo, e fecha-se em altura. Quem ouvir vai descobrir um pensador medieval com vida pulsante — não o estereótipo do escolástico árido, mas um místico-filósofo que articulou uma das mais belas sínteses da tradição cristã. O Brasil deve a MFS a apresentação séria de Boaventura ao público lusófono, num tempo em que a teologia católica de língua portuguesa pouco o estudava.

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