Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
MFS18

MFS18 - Palestra sobre o Infinito/Eternidade

Mario Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.

Esta palestra retoma e aprofunda os temas de MFS09 (Eternidade) e MFS13 (Infinito), tratando-os agora em conjunto. A pergunta de fundo: qual a relação entre o tempo e a eternidade, entre o finito e o infinito? Para os antigos gregos, a eternidade era atemporalidade pura; para os modernos, foi muitas vezes confundida com tempo infinito. Cada uma das duas posições tem consequências distintas para a antropologia, para a teologia, para a ética.

Mário Ferreira dos Santos defende, em linha com Boécio e Tomás de Aquino, que a eternidade é estritamente atemporal — não é “muito tempo”, é o oposto do tempo. Mas mostra também que, para o ser humano, finito e temporal, a eternidade só pode ser aproximada por símbolos, por imagens (a luz, o círculo, o presente puro). Daí a importância da simbólica: ela é o veículo pelo qual a inteligência humana, presa no tempo, toca aquilo que a transcende.

É palestra exigente que combina metafísica clássica com fenomenologia da experiência temporal. Quem a ouve atentamente sai com a sensação de ter expandido o próprio conceito de tempo — de ter compreendido que a vida humana inteira pode ser lida como o esforço, mais ou menos consciente, de articular o agora finito que somos com o agora absoluto que nos transcende.

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