MFS15 - A luta pelo poder
O tema é eterno e, neste momento histórico de Mário Ferreira dos Santos, urgente. A palestra é proferida no Brasil dos anos 1960 — entre o populismo de Goulart, o golpe militar de 1964, a polarização da Guerra Fria, a revolução cubana próxima. MFS poderia ter feito, sobre esse tema, uma palestra de circunstância. Não fez. O que ele oferece é uma análise estrutural do poder, na linha de Aristóteles, Maquiavel, Hobbes, Pareto e Spengler — e à luz dessa análise estrutural, comenta o presente.
A tese central: o poder não é fenômeno acidental, é estrutural à vida coletiva. Onde houver dois homens, haverá hierarquia. A pergunta política séria não é “como abolir o poder” — pergunta utópica que produz, sempre, novas tiranias —, mas “como ordenar o poder de modo que ele sirva ao bem comum em vez de servir-se a si mesmo”. Aristóteles dizia que o bom regime é aquele em que os governantes governam para os governados; o mau, aquele em que governam para si mesmos. A distinção não envelheceu.
MFS analisa, em sequência, vários tipos de regime — democracia, oligarquia, ditadura, monarquia constitucional — e mostra como cada um produz, quando degenerado, sua própria forma de luta pelo poder. Para o ouvinte brasileiro de qualquer época (1968, 2024, qualquer ano), é leitura ainda mais útil do que era na sua. As patologias políticas que MFS diagnostica permanecem em pleno funcionamento.