MFS12 - Filósofos Portugueses
Falar dos filósofos portugueses, no Brasil, é tema raro e ingrato — o brasileiro educado conhece os filósofos franceses, alemães e às vezes ingleses, mas raramente leu Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Antero de Quental, Álvaro Ribeiro, José Marinho. Mário Ferreira dos Santos, neste capítulo das suas palestras, faz justiça a essa tradição. Mostra que Portugal teve, sim, uma filosofia própria — original, católica em sua matriz, atravessada pelo problema do mar e do destino nacional, em diálogo crítico com Hegel e a fenomenologia.
Especial atenção a Leonardo Coimbra (1883–1936), o mais importante filósofo português do séc. XX e fundador da “Filosofia da Razão Experimental”. Sua obra dialoga com Bergson sem se reduzir a ele, com Hegel sem se afundar no idealismo absoluto. MFS reconhece em Coimbra um precursor da sua própria Filosofia Concreta. Outros nomes — Sampaio Bruno (1857–1915), com o seu Cristo apocalíptico, Antero de Quental (1842–1891), com o pessimismo metafísico — recebem tratamento atento.
É uma das palestras mais úteis para o ouvinte luso-brasileiro contemporâneo. Mostra que a língua portuguesa não é apenas suporte de literatura (Camões, Pessoa, Machado), mas também de filosofia séria. E sugere que, se conhecêssemos melhor os portugueses, talvez não importássemos servilmente categorias filosóficas francesas e alemãs como se fossem únicas.